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terça-feira, 2 de junho de 2009

Papel do Psicólogo na Equipe Esportiva

Atletas problemáticos, causadores de intrigas entre os demais no grupo, os famosos “malas”, que com seus egos nas alturas despertam a ira e inveja dos outros atletas...Quem nunca encontrou, em suas mãos, atletas com uma possível tendência a atrapalhar o bom convívio do grupo?

Muitas vezes, sem o conhecimento específico na área da psicologia esportiva, alguns treinadores se complicam ao não saber lidar com problemas que ultrapassam a linha técnica e tática da modalidade esportiva.

Dessa maneira, profissionais especializados, como o psicólogo, estão cada vez mais presentes no organograma de uma equipe/clube. São eles os mais capacitados para trabalhar o lado emocional, com intuito de neutralizar qualquer atitude e pensamento desfavorável ao ambiente e rendimento da equipe/atleta, por exemplo.

Entretanto, existe uma dificuldade evidente do psicólogo em extrair as opiniões e emoções dos atletas, principalmente por ser visto como um estranho no grupo. Como o trabalho do psicólogo é requisitado de forma esporádica e somente nos momentos turbulentos, erroneamente por sinal, fica muito complicado “ganhar a confiança” dos atletas.

Comentários como “não sou louco, por que preciso de psicólogo?” e “não vou falar o que ele(a) quer ouvir...” são comuns entre atletas, principalmente, dos que não tiveram oportunidade de estudos e/ou fazem parte de uma classe econômica baixa. Como possivelmente nunca vivenciaram tal situação, há de se entender o lado do atleta.

O trabalho do psicólogo deve ser feito dentro de um processo a médio e longo prazo, de convívio semanal ou mesmo diário com os atletas, objetivando analisar e entender o ambiente de treinamento e de competição, a relação entre comissão técnica e atletas e entre os próprios atletas. Esse é um trabalho que, prioritariamente, deve começar nas categorias de base a fim de preparar os atletas para lidar com quaisquer situações no caminho de suas carreiras.

Haja vista que a psicologia do esporte se torna cada vez mais determinante nos resultados esportivos, é inadmissível nos depararmos com situações em que o psicólogo é acionado somente para tapar os buracos já abertos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Monitoramento da Frequência Cardíaca em Condições Adversas: aplicações e limitações - PARTE II

Nesta segunda parte, será discutido de que maneira os Fatores Ambientais influenciam o monitoramento da FC no exercício e quais cuidados os treinadores e cientistas do esporte devem ter quando forem aplicá-lo no campo prático.

Fatores Ambientais
Calor
Em quase todos os estudos onde os exercícios tem sido realizados em condições de calor, tem-se mostrado aumentos na FC. Um fator que pode influenciar a FC é a temperatura corporal. Quando o exercício é realizado em condições de muito calor, a perda de calor é menos eficiente e a temperatura corporal aumenta. Jose et al. (1970), relataram uma relação direta e linear entre FC e temperatura do sangue venoso. Como consequência, a FC pode ser maior nessas condições em esforços de mesma intensidade, porém em temperaturas amenas.
A FC pode aumentar por volta de 10 batimentos/minuto, e assim superestimar a itensidade do exercício. Dessa forma, a FC pode não ser um bom indicador de intensidade de esforço em condições de calor, mas sim um bom marcador do estresse corporal do indivíduo como um todo (Achten e Jeukendrup, 2003).


Frio
Os dois principais ajustes que ocorrem nos humanos quando expostos a ambientes frios são: diminuição da circulação sanguínea na pele e; um aumento da taxa metabólica. A perda de calor é reduzida pela vasoconstrição periférica, havendo aumento tanto do volume sanguíneo central quanto do retorno venoso. McArdle et al. (1976), mostraram aumento também no volume de ejeção em baixas temperaturas, causando um aumento no débito cardíaco. Os autores especularam que esse aumento no volume de ejeção foi devido ao aumento no volume sanguíneo central e retorno venoso.
Durante o exercício em ambientes frios, a FC pode apresentar comportamentos similares às condições termoneutras. No entanto, o VO2 pode ser maior e, assim, a FC pode subestimar a intensidade do esforço. Portanto, é recomendado que os atletas treinem na borda inferior de sua zona de FC para obter a intensidade de exercício desejada.


Altitude
O gasto de oxigênio em um trabalho em altitude (>4.000m) é essencialmente similar ao gasto ao nível do mar. No entanto a pressão parcial do oxigênio ambiente (PO2) pode ser diminuída para 30%, em relação a PO2 a nível do mar. Para compensar o decréscimo de oxigênio por mililitro de sangue, mais sangue precisa ser bombeado para a musculatura exercitada, aumentando o débito cardíaco e a FC. Em altitude, apesar da FC aumentar para um mesmo valor do VO2, a relação entre essas duas variáveis permanece linear. A consequência é que para uma mesma FC máxima, obtida a nivel do mar, o VO2 é reduzido.
Quando os indivíduos ficam por um tempo maior na altitude, alguns ajustes ocorrem, o débito cardíaco submáximo diminui, em resposta à uma diminuição no volume de ejeção. A FC permanece elevada todo o tempo que os indivíduo ficam em altitude, apesar de diminuir levemente com o passar das semanas (Klausen et al., 1966; Klausen et al., 1970).
Em exercícios em altitude elevada, a curva FC-VO2 determinada a nível do mar não é confiável para ser usada na altitude, visto que a intensidade do exercício poderia ser superestimada.


Referência Bibliográfica:Achten J, JeukendrupAE. Heart Rate Monitoring: applications and limitations. Sports Medicine. 2003; 33(7):517-538.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Monitoramento da Frequência Cardíaca em Condições Adversas: aplicações e limitações - PARTE I

Durante os últimos 20 anos, os monitores de frequência cardíaca (MFC) tem se tornado uma ferramenta comum e amplamente usada por uma grande variedade de esportes. Novos MFC vem também sendo rapidamente desenvolvidos, chegando ao mercado, equipamentos com grande acurácia, maior capacidade de armazenamento e com novas funções adicionadas (Achten e Jeukendrup, 2003).
No entanto, fatores fisiológicos (Parte I) e ambientais (Parte II) podem influenciar a monitoração da frequência cardíaca (FC) e precisam ser vistos com cautela para uma correta aplicação prática. Assim sendo, este texto tem como objetivo esclarecer para os leitores, os fatores que influenciam a FC em condições adversas. Esta primeira parte, destina-se a tratar dos Fatores Fisiológicos que influenciam o monitoramento da FC durante o exercício.

Fatores Fisiológicos
Variação Cardiovascular
Após poucos minutos de um exercício de intensidade leve a moderada, occore uma dimiuição gradual no volume de ejeção seguido de um aumento na FC. Esse fenômeno é chamado de variação cardiovascular (VC). Estudos demonstram que essas VCs podem ser influenciadas por numerosos fatores. Hamilton et al. (1974) encontraram que a FC aumentou 10% quando não houve consumo de bebidas e de 5% quando o consumo de fluídos foi permitido, mostrando que parte dessa VC pode ser explicada pela desidratação. No mesmo estudo, foi verificado que o aumento da FC durante o exercício está fortemente relacionado ao aumento da temperatura corporal. O mesmo resultado foi verificado em outros estudos.
Desse modo, as VCs devem ser consideradas quando se trabalha com zonas da FC. Aumentos de 15% para exercícios de 5-60 minutos tem sido reportados na literatura. E são acentuadas em situações de calor e desidratação.

Estado de Hidratação
O efeito da desidratação no sistema cardiovascular tem sido extensivamente estudado. Gonzàlez-Alonso et al. (1997), quando compararam indivíduos desidratados e euhidratados em exercício, observaram aumento de 5% na FC e diminuição de 7% no volume de ejeção nos atletas desidratados em relação aos euhidratados. E concluíram que a diminuição no volume de ejeção é induzida pelo reduzido volume do plasma sanguíneo. Sendo que quanto mais desidratado o indivíduo, maiores são as mudanças na FC e volume de ejeção (Saltin, 1964).
Quando o atleta realiza um exercício em um estado de desidratação, sem aumento da temperatura corporal, a FC pode aumentar até 7,5%. O aumento na FC é positivamente correlacionada ao nível de desidratação. Portanto, o uso da FC para monitorar a intensidade de esforço de um indivíduo desidratado pode apresentar limitações.
Referência Bibliográfica:Achten J, JeukendrupAE. Heart Rate Monitoring: applications and limitations. Sports Medicine. 2003; 33(7):517-538.