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terça-feira, 16 de outubro de 2012

JOGOS REDUZIDOS NO FUTEBOL: EFEITO DA DIFERENÇA NUMÉRICA ENTRE AS EQUIPES E ADEQUAÇÃO DAS CARGAS DE TREINAMENTO

 

Pasquarelli, B.N.1,2, Rabelo, F.N.1, Matzenbacher, F.1, Milanez, V.F.¹; Stanganelli, L.C.R1.

1: Universidade Estadual de Londrina, Londrina-PR.

2: Universidade Paulista, São José dos Campos-SP.

Introdução

No futebol, reconhecido como um jogo desportivo coletivo, deve-se treinar em busca de uma congruência entre todos os jogadores com relação as funções dentro do jogo. Assim, podemos definir esse comportamento coletivo como “Modelo de Jogo” de uma equipe.

Entretanto, preparar a equipe para adotar padrões específicos nas fases do jogo: ofensivas, defensivas e nas transições; implica em requisitar que as componentes técnicas, físicas, psicológicas e táticas sejam ajustadas às demandas do modelo de jogo da equipe. Um exemplo claro de como isso ocorre é se analisarmos a equipe do Barcelona; que adota um padrão de recuperação da posse de bola imediatamente após a sua perda ou que, predominantemente, mantém a posse de bola com um jogo apoiado, o qual requer grande mobilidade de seus jogadores na criação de linhas de passe.

Dessa forma, analisando somente essas duas características da equipe catalã, podemos identificar algumas características dos jogadores que a compõem: desempenho ótimo na capacidade aeróbia específica, ocupação racional do espaço e proficiência no passe.

Visto que os jogadores tem desempenho quantitativo e qualitativo diferente em cada uma das capacidades exigidas pelo jogo, gostaria de mostrar parte de um estudo de mestrado que teve como objetivo adequar as cargas de treinamento físico por meio de jogos reduzidos (JR) e verificar seu efeito no condicionamento aeróbio de jovens jogadores de futebol.

Material e Métodos

Participaram do estudo 17 jogadores de futebol (idade: 15,7 ± 0,5 anos). Antes e depois de oito semanas de treinamento, os indivíduos foram submetidos à avaliação da economia de corrida a 7 km.h-1 e 12 km.h-1 (EC7 e EC12, respectivamente) e para capacidade aeróbia específica pelo Yo-Yo Intermittent Recovery Test 1 (YYIR1). Os sujeitos foram divididos em dois grupos, os quais treinaram com inferioridade (JR-IN, < mediana no YYIR1, n = 8) ou superioridade numérica na equipe (JR-SN, > mediana no YYIR1, n = 9). Essa divisão foi utilizada durante 14 sessões de JR, todos com duração de 4x4 min e 5 min recuperação, com os seguintes formatos: a) 3vs.4, 20x30m; b) 4vs.5, 25x35m; c) 5vs.6, 30x40m. A intensidade dos JR foi analisada pelo percentual da frequência cardíaca máxima (%FCmáx) e de reserva (%FCres) (Suunto Team Pod,, Suunto Oy, Finlândia) e pela escala CR-10 de percepção subjetiva de esforço (PSE). Os valores da intensidade foram comparados mediante a utilização do teste “t” de Student para amostras independentes e análise multivariada para verificar o efeito do treinamento. As análises foram realizadas pelo programa SPSS (versão 18.0, SPSS Inc.), adotando-se como significante P<0,05.

Resultados

A intensidade dos treinamentos de JR foi maior no grupo JR-IN comparado ao grupo JR-SN (P<0,05): %FCmáx = 91,6±3,65 vs. 89,5±4,5; %FCres = 87,8±4,9 vs. 85,5±6,5; PSE (U.A.) = 5,6±1,3 vs. 4,9±1,2 (Figura 1 e 2).

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Figura 1

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Figura 2

Após sete semanas de treinamento através de JR, os indicadores mostraram melhora no condicionamento aeróbio nos dois grupos (P<0,05): YYIR1 = 16,6% vs. 4,6%; EC7 = 11,6% vs. 7,5%; EC12 = 12,3% vs. 7,5%; respectivamente para os grupos JR-IN e JR-SN (Figura 3, 4 e 5).

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Figura 3

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Figura 4

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Figura 5

Conclusão

O treinamento utilizando JR melhorou o condicionamento aeróbio de jovens jogadores de futebol de ambos os grupos. O procedimento adotado para adequação das cargas de treinamento às necessidades dos atletas foi eficiente, haja vista que indivíduos menos condicionados, alocados em equipes com inferioridade numérica, obtiveram cargas de treino maiores que os demais jogadores e o efeito somatório dessas cargas resultou em um aumento de maior magnitude no condicionamento aeróbio ao final de oito semanas de treinamento por meio de JR. Assim sendo, tais jogadores estariam mais preparados à cumprirem as exigências do modelo de jogo da equipe, com relação a demanda física do jogo.

 

Trabalho apresentado no 5º Congresso Brasileiro de Ciências do Futebol (2012)

 

 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Planejando os objetivos gerais para o treinamento da resistência no futebol

 Dando prosseguimento ao artigo postado: Introdução ao trabalho da resistência nos esportes coletivos - Definição, neste artigo planejaremos os objetivos. Devemos deixar claro que a resistência não tem sentido como um objetivo em si, e sim, que está em função das características do sistema de jogo preestabelecidas pelo técnico.
A partir daqui podemos traçar os objetivos no treinamento da resistência. Segundo o professor Dr. Joan Solé Forto os objetivos gerais que devemos planejar para o treinamento da resistência são:
1 – suportar o desgaste físico e psíquico durante uma ação do jogo, a partida e a temporada.
2 – acelerar o processo de recuperação entre as diminuições de ritmo, entre as micro e macro pausas do jogo e entre os treinamentos e as partidas.
3 – manter o nível ótimo de rendimento do jogador na execução do gesto técnico e na tomada de decisões.
A figura abaixo esquematiza a ideia anterior.

A formulação dos objetivos é uma das fases mais importantes do processo de treinamento esportivo, e variam em função do âmbito de treinamento. Os objetivos gerais do treinamento da resistência no âmbito da saúde são diferentes do âmbito da educação e dos esportes individuais, assim sendo, nos esportes coletivos também teremos objetivos diferentes, pois estes se caracterizam por mudanças de intensidades em função do sistema de jogo e do comportamento dos adversários.
Com o planejamento dos objetivos traçados, na próxima postagem daremos prosseguimento, classificando a resistência dentro do contexto dos esportes coletivos.

Bibliografia de apoio
Classes presenciais de treinamento da resistência nos esportes coletivos com o Prof.º Dr. Joan Solé no curso acadêmico 2008/2010 do Máster profissional de alto rendimento em esportes de equipe. Barcelona, Espanha.
Material de apoio das classes de treinamento da resistência nos esportes coletivos com o Prof.º Dr. Joan Solé no curso acadêmico 2008/2010 do Máster profissional de alto rendimento em esportes de equipe. Barcelona, Espanha.


quinta-feira, 3 de junho de 2010

Introdução ao treinamento da resistência nos esportes coletivos - Definição

Por

Para começarmos a falar sobre a resistência devemos primeiro definir corretamente o que é resistência para os esportes coletivos, pois treinamos esta capacidade mais ou menos como nos esportes individuais, à única diferença é que colocamos uma bola.
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As definições podem variar um pouco dependendo do autor mas tipicamente temos como sendo a resistência nos esportes individuais, "a capacidade de manter um determinado rendimento, resistir à fadiga, pelo mais largo período de tempo possível." Um nadador que melhora o consumo máximo de oxigênio certamente terá um melhor rendimento, mas nos esportes coletivos isto não ocorre, pois esse maior consumo de oxigênio não nos garante um ótimo rendimento.
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Dentre as várias definições esta abaixo é a que mais me agrada, aproximando-se muito à maneira de como acredito deva ser pensada a resistência no futebol e em outros esportes coletivos. Não existe uma única maneira de entender e atuar no esporte, ficando assim a critério de cada comissão técnica a busca por sua própria compreensão deste fenômeno. Apesar de não concordar com a maneira reducionista de como é trabalhada, não só a resistência, mas todas as capacidades e todas variantes que envolvem o esporte coletivo, precisamos enquadrar-nos à realidade do futebol brasileiro e a do clube que nos paga o salário no fim do mês. Segundo Seirul.lo é primordial que a comissão técnica busque a unificação do modelo a utilizar, sempre de acordo com o projeto esportivo do clube e não obrigar ao clube se adequar a modelos que deram certo com outros jogadores ou entorno.
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Mesmo assim fico com esta definição de resistência elaborada para os esportes coletivos. A capacidade para suportar as exigências físicas, técnicas e táticas estabelecidas por um determinado sistema de jogo durante uma partida e ao longo de toda uma competição. (Massafret e col 1999)
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Partindo desta definição agora falta buscar os objetivos ao treinar a resistência, classificá-la, os gastos energéticos do trabalho das atividades de resistência, os sistemas energéticos, métodos de treinamento e como controlar o volume e intensidade no trabalho da resistência. Ficando estas partes para postagens futuras.
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A batalha ainda é grande, muita coisa precisa ser repensada, mas acredito que o debate de idéias é um bom começo. Sempre lembrando que o profissional de preparação física ao propor uma nova metodologia nunca deve falar de igual para igual com um técnico, diretor técnico, diretor de futebol, coordenador técnico e etc., devendo sempre se basear em números, dados e constatações científicas, deixando a linguagem do boleiro para os boleiros, pois nós somos cientistas do esporte.
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Bibliografia
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Classes presenciais de Planificação nos desportos coletivos com o Profº Francisco Seirul.lo no curso acadêmico 2009/2010 do Master profissional de alto rendimento em desportos de equipe. Barcelona. Espanha.
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Classes presenciais de treinamento da resistência nos deportos coletivos com o Prof.º Dr. Joan Solé no curso acadêmico 2009/2010 do Master profissional de alto rendimento em desportos de equipe. Barcelona, Espanha

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Condicionamento Aeróbio no Futebol - Parte I

"Este texto é a primeira parte de duas, que tentará resumir aspectos importantes do treinamento aeróbio no futebol. Essa primeira parte busca sintetizar os principais métodos de treinamento para essa capacidade. Sintam-se à vontade para perguntar e discutir..."


Condicionamento Aeróbio no Futebol

O condicionamento físico nunca foi tão importante para o atleta de futebol como é hoje. As jogadas determinantes como os sprints chutes desaceleração, mudanças bruscas de direção, etc., indicam que os jogadores experimentam por diversas vezes a sensação de fadiga durante uma partida, e dessa forma, causando declínio no desempenho.

As ações de alta intensidade citadas acima são provenientes de energia fornecida pelo sistema anaeróbio, o que leva algumas pessoas a pensarem que o sistema aeróbio não assume um papel importante para aspectos chave da competição em relação ao fornecimento de energia. No entanto, o sistema aeróbio é crucial para fornecer energia em atividades de intensidade baixa e moderada, bem como na recuperação entre esforços de alta intensidade.

A repleção dos estoques de creatina fosfato (CP) é feita exclusivamente por via aeróbia, portanto, o desempenho em repetidos esforços de alta intensidade é também dependente da condição aeróbia do atleta de futebol.

Dessa forma, o condicionamento aeróbio deve ser logrado para que haja adaptações positivas na disponibilidade de energia e capacidade de trabalho total durante a partida, por meio de uma recuperação mais rápida entre esforços de alta intensidade, pelo aumento da capacidade de remoção de lactato e melhora na repleção dos estoques de CP, aumentando a resistência aeróbia especial.

De forma sintética, serão listados abaixo alguns métodos de treinamento utilizados no futebol para o condicionamento aeróbio desses atletas.



Treinamento da Capacidade Aeróbia


Em um passado não muito distante, o método de treinamento aeróbio utilizado no futebol compreendia corridas de baixa intensidade e longa duração. Entretanto, a posteriori os treinos têm sido prescritos à uma intensidade próxima ao limiar de lactato (~85-86% FCmáx). O limiar de lactato representa a máxima capacidade de produção de energia puramente aeróbia. Essa intensidade é considerada ótima para que ocorra adaptações periféricas, tais como: aumento no número de enzimas oxidativas, aumento no suprimento sanguíneo no músculo, etc.; permitindo ao atleta exercitar-se por mais tempo.

Esse tipo de treinamento é utilizado, preferivelmente, na pré temporada para o desenvolvimento de um condicionamento base para que possam ser realizados trabalhos de intensidade mais alta em períodos posteriores.



Treinamento Intervalado de Alta Intensidade


São treinos envolvendo estímulos próximos à potência aeróbia máxima (VO2máx). As adaptações provenientes deste tipo de treinamento permitem que os atletas consigam manter-se em exercícios de alta intensidade por mais tempo e recuperar-se mais rapidamente entre esses esforços. Além do mais, levam a significantes aumentos no VO2máx, limiar de lactato e economia de corrida. Em um importante estudo, Helgerud et al. (2001), submeteram 19 jogadores juniores de elite (treinamento, n=9, controle, n=10) a um treinamento intervalado. O protocolo consistiu em corridas de 4 x 4 minutos a 90-95% FCmáx, com 3 minutos de recuperação a 50-60% FCmáx, duas vezes na semana, durante 8 semanas. Os resultados mostraram que, no grupo que realizou o treinamento, houve melhoras significativas no VO2máx, limiar de lactato e economia de corrida, além de aumento em variáveis relacionadas ao desempenho no jogo: distância total percorrida, número de sprints, envolvimentos com a bola e intensidade média (%FCmáx).



Treinamento Intervalado Máximo


São treinos que envolvem corridas de curta duração e intensidades próximas a máxima, com períodos mais de descanso. É utilizado para melhora tanto da capacidade aeróbia quanto anaeróbia. Estimula o aumento dos transportadores de lactato muscular, aumentando o tamponamento e assim, evitando a acidose muscular. Com a melhora desta capacidade, ocorre um aumento da intensidade relativa sustentada pelo sujeito durante a partida, protelando a fadiga por mais tempo e aumentando a capacidade de trabalho total.



Treinamento Através de Jogos com Campo Reduzido


São treinos utilizando jogos com dimensões e número de jogadores reduzidos. Recentemente tem sido evidenciado na literatura como um bom método de treinamento para o futebol e outros esportes coletivos, principalmente, para melhorar a resistência aeróbia especial. Alguns estudos mostraram que a intensidade destes jogos pode ser modulada através de mudanças nas regras, nas dimensões do campo, no número de jogadores, na presença ou não de goleiros, no encorajamento verbal do treinador, etc. Sendo que a maioria destes estudos afirmaram que as intensidades obtidas na realização deste tipo de treinamento são suficientes para causar adaptações positivas no condicionamento aeróbio. Assim sendo, torna-se um importante método de treinamento para esta capacidade, pois tem uma grande vantagem em relação aos outros métodos supracitados: permite trabalhar também aspectos técnicos e táticos do jogo.


Segue abaixo um resumo dos três primeiros métodos de treinos discutidos acima:




Nas duas Tabelas abaixo estão demonstrados diferentes formatos de jogos com campo reduzido e aspectos fisiológicos dos mesmos.






Referências Bibliográficas

Helgerud et al. Aerobic endurance training improve soccer performance. Med Sci Sports Ecerc. 3(11), 2001, 1925-1931.

Impellizzeri el al. Factors influencing physiological responses to small-sided soccer games. J Sports Sci,2007;25(6):659–666.

Little, T. Soccer Conditioning: training for optimal fitness. Personal Training on the Net. 2004.

Little, T. Optimizing the Use of Soccer Drills for Physiological Development. Strength and Conditioning Journal. 2009; 31(3, 67-74.